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Adriana e o Smalti

    Em uma dessas fuçadas profundas que fazemos internet a dentro acabei me deparando com  este senhor. De início chamou minha atenção pelo brilho. Depois, olhando mais atentamente, percebi que as cores eram um capítulo à parte. O próprio arco-íris parece um conjunto de canetinha da China perto de suas tonalidades quase infinitas. Seu nome: Smalti (Nããããooooo!!!!! Não é o de passar na unha!!!!!!). Sobrenome: Orsoni. Diagnóstico: paixão. Quanto mais pesquisava, mais deslumbrada ficava. Natural de Veneza, ele não punha seus pés em terras tropicais a não ser que fosse parte da bagagem de algum turista/artista de muito bom gosto e bem avisado sobre onde encontrar. Ultra tradicional e nobre, já havia sido por mim colocado em um pedestal e entendido como um sonho do tipo "um dia, quem sabe".
    Acontece que mais perto, em Curitiba, reduto de mosaicistas talentosos, há uma mulher forte que foi viver a paixão pelo Smalti lá, em Veneza, indo beber direto da fonte da tradição, da beleza e da excelência (ela fez um dos cursos da própria Orsoni). Um vez de volta ao Brasil deve ter sido atormentada durante seu sono por vários anjos da guarda sobrecarregados de pedidos de encontro com aquele material tão emblemático. Um dia, finalmente, ela acordou com a brilhante idéia de realizar um curso da Orsoni por aqui. Realizadora como só ela pode ser, começou a fazer contatos com a Itália e, paralelamente, com mosaicistas daqui para sondar o interesse. Após meses de trabalho e preparação, três turmas se formaram (uma em São Paulo e duas em Curitiba) para este experiência/vivência inédita até então.
    Agora, querido leitor, imagine você esta destrambelhada que agora escreve se metendo aí no meio. Como eu poderia não participar disso? Como me esquivaria da oportunidade deste encontro sonhado com o tempero "nunca te vi, sempre te amei"? Então também eu me preparei, com alguma conspirada do Universo a meu favor, fiz minha inscrição, escolhi um dos meus desenhos da época em que eu sabia fazer isso e adquiri o conjunto de tagliolo e martellina para trabalhar o Smalti da forma como deve ser.
    Finalmente chega novembro de 2011 e no seu segundo dia dirigi absurdamente ansiosa até o ateliê onde encontraria meu amado. Lógico que tive um choque master ao me deparar, do alto de minha cabaçice, com uma mulherada afiada, gente experiente que faz mosaico e desencrava unha ao mesmo tempo. Isso não foi nada, absolutamente nada, quando pude observar a Maestra Antonella Gallenda dar a demonstração inicial do corte. Parecia mágica. A martellina era uma extensão natural do seu braço e tudo se movia com uma rapidez e uma suavidade sobre o tagliolo que meus olhos não conseguiam acompanhar cada movimento. Poesia! Poesia! Poesia!
    Tudo foi acontecendo muito rápido, afinal seriam apenas três dias de curso. Se fosse se desenrolar no ritmo Adriana (devagar e sempre), precisaria de uns quinze dias úteis. Era muita novidade para metabolizar. Como não dava, simplesmente fui socando tudo goela abaixo para digerir quando desse. Por exemplo, o meu esperado encontro com o Smalti não teve espaço para a contemplação, olho no olho, nada disso. Então fui fazendo o que precisava ser feito, morrendo de vergonha da minha inexperiência, morrendo de vergonha da minha vergonha, me sentido incapaz de manusear a martellina e entorpecida pelos trinta anos (isso mesmo, trinta) de experiência da Maestra.
    Fiquei muito tensa no primeiro dia. No segundo consegui curtir mais. Lembro de um momento, logo após o almoço, quando se fez um silêncio de concentração e apenas se ouvia o estalar do Smalti sendo cortado por aquele belo grupo de mulheres. Ali senti como somos privilegiadas. Nos reunimos por uma paixão em comum, em um curso inédito, numa oportunidade muito exclusiva. Tinhamos em nossas mãos um material muito nobre, de beleza singular. E pensar que há pouco mais de um ano eu levava uma vida de merda, oprimida em opções equivocadas, numa infelicidade crescente. Me emocionei ao constatar o movimento da vida e o nosso glorioso poder de escolha. Uma respirada profunda, egole esse choro e continua trabalhando! Também achei bonito de observar em cada rosto a admiração pelo que era produzido. Uma colega de mesa exclamava várias vezes, baixinho, "gente, como é lindo!" e eu sorria concordando numa manifestação mais interna do que externa.
    Nem precisa dizer que o terceiro dia passou muito rápido. Nossos projetos ficaram para ser concluídos em casa. Tiramos fotos, ganhamos nossos certificados, compramos mais Smalti e cada uma seguiu seu caminho. Hoje nos "vemos" até com certa frequência em uma comunidade virtual criada umas semanas depois. Desde então boas coisas aconteceram. Aquela mulher forte de Curitiba tornou-se representante da Orsoni no Brasil e começou a importar estes pedaços de paixão. Ao que tudo indica novos cursos acontecerão este ano. Eu terminei meu quadro semana passada. Quando abstraio os problemas de técnica, fico ali apenas admirando a beleza do material. Pode ser que você olhe e não veja nada demais. Juro que vou entender se for este o caso porque eu mesma não sei explicar o motivo deste amor que só pode ser de outra vida.
    Vamos aos fatos e personagens:
- A mulher forte de Curitiba é Renata Ghellere - www.ghelleremosaicos.com.br - que admiro pacas pelo empreendedorismo, pela generosidade e por iniciar a história do Smalti no Brasil de maneira definitiva e profunda.
- Conheça mais sobre esta maravilha que é o Smalti Orsoni - www.orsoni.com - olhe tudo neste site, os trabalhos, a história, as cores...
(quando eu morrer joguem minhas cinzas aí)


- O conjunto de martellina e tagliolo
(foto compartilhada da página da Ghellere Mosaicos no Facebook)

- As etapas do meu trabalho




Abaixo, concluído. Sugestões para a moldura?
     Mas afetações de amores inexplicados à parte, o que ficou de mais importante desta experiência foi aprender algo novo partindo do zero. A utilização da martellina, a tentativa de dominá-la, de entendê-la, foi como começar a aprender um novo idioma ou, como definiu a Maria Helena Ferraz, reaprender a andar. Neste ponto da vida (e ainda me considero jovem) notei minha falta de paciência com o ritmo que se leva para aprender. Tive vontade de ir dormir e acordar sabendo tudo numa total falta de humildade e inteligência. Não é assim que as coisas acontecem. Cada vez que empunhar minha nova ferramente devo me lembrar disto e me submeter placidamente às minhas limitações. Devo aguardar que meu cérebro assimile a novidade para só então iniciar o aprimoramento. Aquela mania besta de querer ser perfeita em tudo, desde a primeira vez, será uma agulhada no orgulho todas as vezes em que esquecer que para chegar lá deve-se subir um degrau de cada vez. Não há milagres. Há resultado compatível com o esforço e a disciplina empenhados.
    Ah! Antes que me esqueça! (este post já está tão grande que só mais uma foto não fará lá grande diferença) Sem apoio não se vai muito longe. Então obrigado aos meus apoiadores, perenes (Baltazar!!!!) ou efêmeros, com destaque desta vez para as Orsonistas e para minhas filhas peludas.



7 comentários:

  1. Adriana, antes de mais nada, parabéns pelo empenho e pelo reencontro. É assim mesmo, quando a gente encontra algo que sabe ter realizado em outras vidas chamo de reencontro e foi assim no meu caso também. Digo que tenho uma pequena experiência de trabalho de 15 anos e ainda assim me deparo com coisas que não tenho a menor idéia de como são realizadas. Mas o segredo é ter o empenho certo para sempre ir atrás da informação e desenvolver o seu labor da melhor forma possível, com a vontade de sempre melhorar, sim melhorar somente, pois perfeição em nosso atual estado de consciência não existe, talvez em outras vidas, quem sabe....
    Abraços
    Anselmo

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  2. Adriana, estou feliz por te ver feliz e, principalmente por entender a tua felicidade.
    É a descoberta, a materialização de uma imagem bela, mas indefinida, o aprender a ser paciente, o crescer em humildade para fazer e desfazer e, o mais importante, a cereja no topo de bolo, é o parto, o nascimento de algo que saiu daí das tuas entranhas, num ato de amor e dor quase físico.
    Moldura para quê, amore mio!?
    Não precisa! Precisa apenas de olhares, de provocar suspiros de prazer, de acender todos os teus dias.
    Presumo que este primogénito, belíssimo, seja apenas o primeiro de uma série.
    A partir de agora, não és dona das tuas mãos.
    Elas congeminarão esquemas e tu, segui-las-ás.
    Adorei, porque sou uma adoradora da paixão.

    Deixa que te abrace, forte, forte, assim...
    Nina

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  3. Que coisa mais linda, Adriana! Diante de tantas palavras, cá estou eu... sem palavras... sem palavras...

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  4. Adriana, o que escrevi é sentido e, principalmente, muito merecido.

    Sabe, não sei se é talento ou maldição, mas eu bloqueio face a tipos diferentes.
    Depois, sou capaz de reproduzir todos os maneirismos.
    Mais grave, é que fico íntima, trocamos ideias, damos e recebemos palpites.
    Mas para que tal aconteça, tem que ser exótico, diferente e assumido.
    O meu marido acusa-me de lhes dar corda e, se calhar, tem razão.

    Pode apostar que se voltar a cruzar-me com o inglês costureiro, trocaremos figurinhas.
    Beijo, bella!
    Nina

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  5. Adriana, só não aprende a tricotar se não quiser.
    É muito bom, terapêutico, diria.
    Beijo, linda.

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  6. Olá Adriana, gostei muito do seu texto, parabéns e do seu primeiro mosaico com smalti tbm, muito bacana!
    Comecei ontem o meu primeiro trabalho com smalti, micro mosaico, vamo que vamo!
    beijo,
    Adri

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